Ontem, com a chegada do fim de semana, o número de voluntários praticamente dobrou. Uma que permanece no local desde quinta-feira é a educadora social Rosana de Almeida Cabrera, de 54 anos. “Tô me ajeitando numa caminha que montamos embaixo da rampa. Moro no Morin e ficar indo e voltando é muito trabalhoso”, disse. Ela integra o Comando da Paz e, tão logo soube do problema, partiu para Itaipava para poder ajudar.
“Quando cheguei, me assombrei com o tamanho da coisa. Antes de iniciarmos os trabalhos, o Peixoto (presidente do Comitê de Ações Emergenciais) nos levou para conhecer a atual realidade. Fiquei impressionada com a altura da lama. Voltamos sensibilizados, e começamos a trabalhar com muito mais vontade do que antes”, disse, salientando que, logo no início do trabalho, pôde perceber que as pessoas que procuram o local em busca de doações não precisam apenas de mantimentos ou roupas. “Eles querem e precisam contar o seu sofrimento. Procuram uma palavra amiga, um ombro. Muitos ficaram sozinhos, pois perderam toda a família”, completa Rosana, que é mãe de dois filhos. Na sexta-feira, a filha de 18 anos também foi para o Ciep ajudar nos trabalhos.
Outra voluntária que demonstra muita força é a funcionária pública Dirce Fátima de Paula, de 54 anos. A casa onde morava com a mãe de 81 anos e os cinco filhos, no Arranha-Céu, ficou completamente alagada durante a enchente e a família perdeu todos os bens. “A casa ficou de pé e, aparentemente, a estrutura não chegou a ser abalada. Lá ainda está tudo sujo porque, sabendo que as pessoas podem estar precisando de mim aqui, não consigo pensar em fazer limpeza”, conta. Segundo ela, a faxina está sendo feita apenas à noite. “Estou limpando um cômodo por dia. Aos poucos vou conseguir colocar as coisas em ordem”.
Mas, a pequena Emanuelle, de apenas 10 anos, era quem chamava mais atenção. Ela conta que ficou sabendo da tragédia através da televisão e, no mesmo dia, pediu para a mãe levá-la ao abrigo, pois queria ser voluntária. A menina integra o Clube de Desbravadoras. “Minha mãe deixou eu vir, então, separei as minhas doações. Trouxe um short, um moletom, pantufa e uma boneca”, contou. Indagada sobre o brinquedo, ela acabou revelando que era a boneca que mais gostava. “Ela tinha os cabelos cacheados. No mesmo dia que fiz a doação, já foi entregue a uma criança”.
Junto com Emanuelle estava a amiga da família, Luciana. “Também faço parte do clube e ontem (quinta-feira) ela me ligou chamando para vir pra cá. É claro que não pensei duas vezes. Ainda mais tendo partido de uma criança”, revela Luciana.









